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DOCUMENTÁRIO POLÍTICO: FAHRENHEIT 11 DE SETEMBRO

Em Cabra Marcado Para Morrer, partilhamos da ótica de um cineasta brasileiro sobre um problema do Brasil, mesmo que num microcosmo deste problema. Agora, neste segundo filme do tema Documentário Político, vemos o diretor estadunidense Michael Moore contestar as decisões (e as amizades) do hoje ex-presidente George W. Bush.


Fahrenheit 9/11, 2004
Estados Unidos
dir.: Michael Moore

Há dez anos, Michael Moore entregava ao mundo um filme poderoso, que mostrava as repercussões dos atentados de 11 de setembro e as contraditórias atitudes tomadas pelo governo dos Estados Unidos a respeito. Mais: o filme colocava em xeque as motivações do próprio governo para as posteriores invasões do Afeganistão e Iraque, e ainda falava de ligações entre as famílias Bush e Bin Laden.

Antes de se consagrar vencedor da Palma de Ouro (o maior prêmio do Festival de Cannes), Fahrenheit 11 de Setembro sofreu alguns pequenos problemas para ser distribuído, já que sua distribuidora inicial, a Icon Productions, desistiu do trabalho alegando “conflitos de imagem”, e sempre negando a acusação de que estaria motivada politicamente.

O título do filme faz referência ao livro (e filme homônimo) Fahrenheit 451, uma distopia que se ambienta num mundo com um regime totalitário que queima todo e qualquer livro, sob o pretexto de impedir que as pessoas tornem-se infelizes e improdutivas.



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DOCUMENTÁRIO POLÍTICO: CABRA MARCADO PARA MORRER

Um documentário que teve suas gravações interrompidas durante 17 anos. Esse é o primeiro filme o qual iremos falar sobre o tema Documentário Político: Cabra Marcado Para Morrer.


1984
Brasil
dir.: Eduardo Coutinho

Eduardo Coutinho era paulista, nascido em 1933. Seus primeiros documentários foram realizados na França, onde foi estudar direção e montagem, graças ao dinheiro de um prêmio ganho respondendo um quiz sobre Charles Chaplin. Ao voltar ao Brasil em 1960, ingressou no Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes, e foi escalado para dirigir a segundo produção do centro, justamente Cabra, talvez seu trabalho mais expressivo. Eduardo dirigiu outros documentários, entre eles Santo Forte (1999) e Babilônia 2000 (2000), premiados em festivais nacionais, como o Festival de Gramado, o qual inclusive lhe concedeu o Kikito de Cristal pelo conjunto da obra, em 2007. 

Cabra Marcado Para Morrer conta a história do assassinato de João Pedro Teixeira, líder das Ligas Camponesas, através dos próprios participantes do caso: os Camponeses do Engenho Caranéia, inclusive a sua viúva, Elizabeth Teixeira, que faria o seu próprio papel. Entretanto, com duas semanas de filmagens, a produção do filme foi interrompida por causa do Golpe Militar de 1964, sobre a acusação de comunismo da equipe: alguns membros foram presos e parte de câmeras e filmagens tinham sido destruídas.

Porém, 17 anos depois da interrupção, o trabalho foi retomado por Eduardo, graças à preservação de parte do material antigo, seja escondido em latas embaixo da cama ou negativos guardados com outro nome. O diretor entrevistou os mesmos camponeses que participaram da primeira parte das gravações, inclusive Elizabeth, que estava escondida em São Rafael, interior do estado do Rio Grande do Norte.  O filme ficou pronto 3 anos depois - 20 anos após o início do projeto - e recebeu 12 prêmios em festivais internacionais, entre eles Berlim, Paris e Rio de Janeiro.


E aí, ficou curioso pra saber o que tanto a Ditadura viu de comunista nesse filme? Pois assista também e compartilhe conosco o que você achou dele! Compartilhe esse post com seus amigos e vamos debater...

... antes que o governo nos proíba disso!

DISTOPIA: NÃO ME ABANDONE JAMAIS

“Um soberbo e comovente filme sobre o amor eterno.” foi a frase publicada pela revista TIME para definir a distopia que finaliza o tema do mês.


Never Let Me Go, 2010
Reino Unido, Estados Unidos
dir.: Mark Romanek

Baseado na obra de Kazuo Ishiguro, e estrelado por Andrew Garfield (O Espetacular Homem-Aranha), Keira Knightley (Orgulho e Preconceito) e Carey Mulligan (O Grande Gatsby), Não Me Abandone Jamais é uma co-produção entre Inglaterra e Estados Unidos. Com direção de Mark Romanek, nome por trás de videoclipes de estrelas do mundo pop, como Madonna, o filme também conta com roteiro de Alex Garland (A Praia).

O filme conta a história de Tommy (Garfield), Ruth (Knightley) e Kathy (Mulligan), envolvidos em um triângulo amoroso. A peculiaridade da história está no fato de que os três personagens são espécimes criados em laboratório para fornecer os seus órgãos a pacientes gravemente enfermos, algo já visto em A Ilha, de Michael Bay.

Uma curiosidade é a de que a atriz Carey Mulligan precisou prestar aulas intensivas de direção, necessárias para sua personagem. Reprovada, obrigou a produção a filmar as cenas em uma estrada particular para que ela pudesse conduzir sem trazer problemas legais para a produção. Não Me Abandone Jamais foi Eleito um dos melhores filmes de 2010 pela TIME.


Os outros filmes distópicos do mês foram Brazil: O Filme e Gattaca – Experiência Genética.

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DISTOPIA: GATTACA - EXPERIÊNCIA GENÉTICA

Dando prosseguimento à apresentação dos filmes desse mês com o tema Distopia – se você ainda não sabe o que é, clique aqui –, coube a mim falar dessa ficção científica. Com vocês, Gattaca – Experiência Genética.


Gattaca, 1997
Estados Unidos
Dir.: Andrew Niccol

Conhecido por assinar o roteiro de outras ficções, como Simone e O Show de Truman, Andrew Niccol também assume o papel de diretor e roteirista deste longa, com Ethan Hawke (Dia de Treinamento), Uma Thurman (Kill Bill) e Jude Law (Closer – Perto Demais). Um filme de ficção, mas com um tema bem comum: a divisão de classes entre pessoas. Neste caso, entre seres humanos criados geneticamente em laboratório, com o intuito de serem melhores sucedidos, e os “biologicamente criados”, teoricamente menos evoluídos. 

Arrecadando o valor do seu custo em praticamente um mês, Gattaca ganhou alguns prêmios na França, Inglaterra e Alemanha, mas apenas concorreu ao Oscar e ao Globo de Ouro de 1998. Em contrapartida, o longa foi escolhido pela NASA como uma das ficções científicas mais realistas já feitas, juntamente com Jurassic Park e Contato, entre outros. Outra curiosidade desse filme é que Ethan Hawke e Uma Thurman se conheceram durante as filmagens, o que mais tarde deu em casamento: os dois foram marido e mulher entre 1998 e 2003, tendo dois filhos dessa relação.


Não se esqueça que essa semana ainda tem texto, e que semana que vem, falaremos do último filme escolhido para o tema, Não Me Abandone Jamais.

E aí... quer provar que os seres biologicamente criados também podem ser evoluídos? Então comente o que achou! Compartilhe com seus amigos e vamos mostrar que não precisamos de modificação genética para sermos bem sucedidos!

DISTOPIA: BRAZIL - O FILME

Dando início às apresentações dos filmes escolhidos pela equipe para o primeiro tema de 2014 - Distopia -, nada mais apropriado que começar com um que traz referências claras à obra imortal de George Orwell, 1984: o longa-metragem britânico de humor Brazil: O Filme.


Brazil, 1985
Reino Unido
dir.: Terry Gilliam

O diretor e escritor Terry Gilliam (um dos membros fundadores do grupo de comédia Monty Python) é conhecido por preencher seus trabalhos com ironia, surrealismo e o non-sense, além de um visual único, a exemplo do que se vê em Monty Python em busca do Cálice Sagrado, Os 12 Macacos e O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus. E, pelo que nos aponta a sinopse de Brazil: O Filme, Gilliam combina aqui todas estas características, numa tragicomédia curiosamente ambientada numa sociedade oprimida por um regime totalitário.
Tendo Jonathan Pryce (Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra) no papel do protagonista Sam Lowry, o filme conta com Jim Broadbent (Moulin Rouge!) e Ian Holm (O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel), além da participação de Robert De Niro (Taxi Driver). A produção foi um fracasso de bilheteria, arrecadando somente metade de seu custo. Concorreu a dois Oscars: Melhor Roteiro Original e Melhor Direção de Arte, sem sucesso; mas, nomeada ao BAFTA, recebeu os prêmios de Efeitos Especiais e Desenho e Produção.

Uma curiosidade: o uso da palavra “Brasil” no filme remete, claro, ao nome da nossa amada pátria – e o uso de "Aquarela do Brasil" na trilha é mais do que uma dica disso -, mas também é uma referência à ilha mítica de Hy-Brazil, em cuja lenda constam as raízes etimológicas do vocábulo "Breazil". Muito adequado, já que a tal ilha era tida como um lugar idealizado, abençoado, utópico.


Nós dividimos a apresentação do tema em três partes que serão divulgadas ao longo de fevereiro, estando reservados para as próximas semanas Gattaca e Não Me Abandone Jamais.

Já foi vítima da mão opressora do Estado? Deixe seu comentário e colabore com a discussão. Não tema a Polícia do Pensamento, compartilhe!